Uma breve contextualização em Análise de Perfis de Manchas de Sangue.

 

Entenda também o motivo pelo qual muitos países desenvolvidos dão tanta importância a esse estudo.

     O estudo de perfis de mancha de sangue, ou Bloodstain Pattern Analysis (BPA) é tratado como uma análise sistemática do sangue depositado em uma superfície. Através do seu formato, tamanho e distribuição, podemos inferir o mecanismo que foi necessário para a geração dessa (s) mancha (s) que, em conexão com outros elementos da cena de crime, podem levar ao estabelecimento do que realmente ocorreu no local, como ocorreu, quando ocorreu e até quem esteve presente durante esta ocorrência. O uso desta técnica é baseado em princípios científicos relacionados principalmente ao conhecimento da mecânica dos fluidos, da biologia, da física, da química e da matemática.

       O Perito ou Analista em Perfis de Manchas de Sangue, comumente denominado bpa, do inglês bloodstain pattern analyst, deve ser capaz de interagir com estas ciências afim de extrair das manchas de sangue conclusões que sejam fidedignas com o ocorrido. Dentre os resultados práticos esperados em sua análise estão, por exemplo, diferenciação entre homicídios, suicídios ou acidentes; posições e movimentos da vítima e do criminoso; avaliação de contradições em depoimentos; seletividade em amostragens para exames de DNA; diferenciação de objetos usados em um crime; estabelecimento de número de participantes no crime; auxílio no critério de tempo de morte; estabelecimento de percurso; revelação de novos vestígios; e inúmeros outros a depender de cada caso. 

      Ao contrário do que se pensa, porém, esta não é uma nova área das ciências forenses. O estudo de manchas de sangue na verdade já possui mais de 100 anos de história. Existem relatos do uso desta técnica desde a idade média, e até mesmo em tribos germânicas mais antigas. Todavia muitos pesquisadores consideram que a maior roupagem científica nesta área realmente se iniciou a partir de 1895, com pesquisas realizadas pelo médico polonês Dr. Eduard Piotrowski. Piotrowski tinha como método experimental algo que nos dias de hoje ocasionaria, no mínimo, grande polêmica. Costumava martelar coelhos ainda vivos na cabeça para, em seguida, documentar o comportamento das manchas de sangue geradas com esta ação.

   Em uma época mais contemporânea, livros, publicações, pesquisas, encontros e congressos internacionais têm sido rotineiramente promovidos a respeito deste conhecimento, além da construção de laboratórios e centros de pesquisas especializados. Em 1983, o analista Hebert Leon MacDonell, durante um dos cursos avançados que promovia nos Estados Unidos, fundou com seus alunos o que viria ser um grande passo para a organização e divulgação dos especialistas em manchas de sangue no mundo: A Associação Internacional de Analistas de Manchas de Sangue, ou International Association of Bloodstain Pattern Analysts (IABPA), que hoje conta com milhares de membros em diversos países. Em 2002, o Federal Bureau of Investigation (FBI) deu um segundo grande passo para o fortalecimento deste estudo. Criou o Scientific Working Group on Bloodstain Pattern Analysis (SWGSTAIN). O objetivo principal  da SWGSTAIN é o de desenvolver doutrinas, certificações, metodologias de análise, e padronização das nomenclaturas das manchas de sangue. A SWGSTAIN com certeza é a principal referência em padronização para profissionais que atuem nesta expertise.

      Por meio de resultados práticos, acrescentada por uma grande quantidade de produção científica, o estudo de manchas de sangue tem se desenvolvido exponencialmente em termos de tecnologia, pesquisa acadêmica, e formação profissional, com destaque para estudos desenvolvidos em países como Estados Unidos, Canadá, Holanda, França, Alemanha, Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália. Pela sua rapidez, eficácia, e baixo custo na resolução de crimes, não é exagero dizer que é considerada uma das técnicas mais importantes no mundo forense. Vários institutos no exterior têm buscado qualificar seus profissionais neste estudo ao perceberem que um bom analista de manchas de sangue pode solucionar uma investigação com maior rapidez e robustez de provas do que métodos tradicionais de investigação sem esta expertise ocasionando, assim, uma satisfatória economia de recursos e tempo.

     No Brasil, um país com baixíssimo índice de resolução de casos, e  índice de homicídios comparados inclusive a de uma guerra civil, apresentamos até o momento pouco desenvolvimento e conhecimento nesta área. Verifica-se uma ausência de política estratégica no assunto, tanto no aspecto governamental como também nos institutos de perícia e universidades. Falta, notadamente, consciência da importância do tema, sistematização do conhecimento, divulgação, padronização, encontros, e estruturação de laboratórios especializados. Tentar desenvolver a análise de manchas de sangue de forma científica em nosso país, portanto, é um grande desafio que estamos buscando através deste site, de nossos treinamentos, de nosso livro, e de diversas outras ações promovidas com nossa marca. Com seu apoio certamente daremos um grande passo neste sentido.

"O impossível só existe até que alguém duvide e prove o contrário."

Albert Einstein

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